About Me

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…o avô Geraldo, nasceu em França, na parte norte dos Pirinéus, e a avó Maria, na região de Navarra, em Espanha. Por altura da “primeira guerra mundial”, refugiando-se e, na procura de alguma paz e sobrevivência, percorreram os caminhos rurais da “Península Ibérica”, de terra em terra, viajando, com centenas de refugiados.

… foram espoliados de quase tudo!.

…na sacola, onde ainda traziam alguns haveres, que lhes restaram, vinham duas coisas, que ninguém lhes conseguiu roubar!.

Eram elas: “A ESPERANÇA, E A FORÇA DE VIVER”!.

…encontraram-se e conheceram-se, numa aldeia, no norte de Espanha!.

…continuando fugindo e, caminhando pela estrada de “São Tiago”, vieram parar a Portugal, gostaram um do outro e casaram!.

…estes, foram os avós paternos, do Tony Borie, que viveram por longos anos, entre as terras pantanosas do baixo Vouga, e a montanha agreste da Serra do Caramulo, numas terras baldias da floresta, a que chamavam o “Vale do Ninho d’Aguia”, que a poder da força dos seus braços, desbravaram, construindo uns casebres, plantando algumas árvores, fazendo alguma agricultura em leiras, que iam roubando ao mato selvagem, cheio de pedras, silvas e outras ervas daninhas, como lhe chamavam e, onde ninguém ia, com receio dos lobos e outros animais!.

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…nesse vale, vivendo com o que a natureza lhes oferecia, criaram uma família, do qual nasceu um filho, que casou com uma moça,  também  oriunda da mesma aldeia e, quando na vila, se referiam a eles, que eram os pais do Tony Borie, que também sempre ali viveram, agarrados a essa terra!.

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…e se chamavam Ilda e António, dos quais, as pessoas diziam:

– São pessoas pobres, mas muito honrados. É pena serem do “contra”, mas também coitados, com tantos filhos!.

…estes eram os pais do Tony Borie, que era o irmão mais novo dos rapazes, de uma família de quatro filhos, três rapazes e uma rapariga, que nasceu mais tarde!.

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…o Tony Borie, nasceu e cresceu, nesta aldeia do “Vale do Ninho d’Águia”, onde passava um comboio algumas vezes ao dia, que marcava as horas e, como era o irmão mais novo dos rapazes, nunca usou roupa feita à sua medida, usava a que já não servia aos irmãos, este procedimento era normal, numa aldeia sem muitos recursos, onde quase todos os seus habitantes viviam do que a natureza lhes oferecia, como era o “Vale do Ninho d’Águia”, com pouco contacto com a vila, que estava a pouco mais de uma légua de distância!.

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…quando criança, andou pelas florestas que circundavam a sua aldeia, brincava com os irmãos!.

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…tomava banho no ribeiro, que passava ao fundo do vale, algumas vezes pastoriava as ovelhas e duas cabras, que havia na casa de seus pais, ajudava na lavoura em trabalhos mais leves e, na época em que algumas árvores davam alguma fruta, os vizinhos logo diziam:

– Na altura em que as árvores dão fruta, o Tony e os irmãos, andam sempre gordos!.

…frequentou a escola primária da vila, diziam que era bom aluno, mesmo um pouquinho acima da média, jogou à bola no adro da escola, andou à pancada com alguns colegas, teve amigos e amigas, também alguns inimigos, aprendeu a nadar no rio da vila, onde tomava banho nú, junto com outros colegas, mais tarde, teve que deixar de tomar banho nú, pois algumas mulheres, que lavavam roupa nesse mesmo rio, diziam:

– Olha, olha, o raio do rapaz, já “pinta”!.

…quando acabou a escola primária, o professor vendo nele um bom aluno, mandou chamar o pai e disse-lhe:

– O Tony, é um bom aluno, deviam continuar com ele na escola, pois aprende bem, e com facilidade.

…o pai António, analfabeto, amargurado do trabalho rude da lavoura, pois via-se aflito para dar de comer a tantas bocas e, nos anos de seca, não havia quase nenhumas colheitas, assim, responde-lhe, com o seu chapéu na mão, que só usava quando vinha à vila:

– Hó senhor professor, ele já sabe ler, escrever e fazer contas, agora a escola dele, vai ser a lavoura, ou algum emprego, para ajudar na casa, pois a vida está pela hora da morte!.

…e lá ficou o Tony, com quatro anos de escola e, entre alguns trabalhos precários na vila, que ninguém queria fazer, vai para a lavoura, juntamente com os irmãos!.

…apesar de andar vestido consoante o que ganhava, que era quase nada, tirando alguma roupa dada por alguns companheiros, cujos pais tinham melhores posses, as suas vestes, eram a que já não servia aos irmãos. Fez tudo o que um rapaz fazia na sua idade, numa aldeia do interior, fazia caminhadas pela linha do caminho ferro, conhecia os maquinistas, que ao vê-lo apitavam o comboio, cresceu e, sem o pai saber, mas com o consentimento dos irmãos, usava já a “navalha de fazer a barba” do pai, e rapava uns pelos da cara, andou pelos bailaricos das aldeias das redondezas, juntava-se com os irmãos e amigos na taverna da aldeia, ao sábado à noite, piscava o olho às raparigas que achava mais bonitas, teve namoradas e, alguma roupa dos irmãos, já lhe era pequena, pois os vizinhos diziam:

– Olha, que o Tony, apesar de ser mais novo, já é maior que os irmãos!.

…vem a idade de ir “Às Sortes”. Uns dias antes, já os irmãos lhe recomendavam:

– Tens que ir lavado, e com roupa que se possa tirar depressa, pois os doutores da inspecção, mandam despir e se não o fazemos rápido, às vezes batem e, nunca abras a boca a dizer nada, antes de te perguntarem!. Tem muito “tino”, nessa cabeça, rapaz!

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…Portugal, entra em guerra com as suas então “Províncias do Ultramar”, é chamado ao serviço militar.

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…dão-lhe um trteino básico, em como se defender e, como deve matar.

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…colocam-no numa frente de guerra em África!.

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…vai combater pessoas que nunca tinha visto antes e nada tinha contra, pelo contrário, algumas até lhe pareciam mais simpáticas, do que aquelas que o desprezavam em Portugal!.

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…passa dois anos em cenário de guerra, é ferido, sobrevive, cumpre o seu tempo e regressa a Portugal!.

…em Portugal nada mudou, as pessoas são as mesmas. Ele já é outra pessoa, não se cala, quando lhe falam de maneira menos educada e com palavras injustas. Casa-se, tanto ele como sua esposa e companheira, não aceitam mais o regime de protecção aos ricos, que então existia. Triste e desiludido, sentindo-se perseguido políticamente, descriminado, sem qualquer hipótese de  sobrevivência, abandona Portugal!.

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…emigrando para os USA, sofre as causas de uma pessoa que atravessa o Atlântico, não sabe o idioma, nem os costumes, sobrevive, vai de novo para a escola, tira classes na universidade, passado uns anos recebe o seu diploma de “Master” em mecânica industrial.

Trabalhou por um período de 30 anos, numa multinacional de produtos químicos, na área de mecânica, no estado de New Jersey, onde, além dos seus deveres profissionais, exerceu por o mesmo período de tempo, diversos cargos como oficial do sindicato da United Steelworkers of America, sendo um razoável mediador de conflitos entre a entidade patronal e o empregado, até àquela data, foi o único dirigente, na história do sindicato, que foi proposto e eleito por um período de 30 anos!.

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…sempre acompanhado de sua esposa e companheira, fez parte da vida social, das cidades onde viveram!.

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…foi activo membro de diversas agremiações portuguesas neste estado, contribuíram e dirigiram diversas colectas de fundos para algumas agremiações portuguesas em dificuldades. Dirigiram uma organização, que com jantares e peditórios de porta a porta, arranjaram dinheiro suficiente necessário, para construir uma capela e toda a urbanização circundante, no lugar onde se casaram, ao norte da aldeia do “Vale do Ninho d’Aguia”. Com outras pessoas, oriundas da sua região em Portugal, fundaram uma associação de bem fazer, que ainda hoje existe, que com um jantar anual, chegam a juntar mais de um milhar de pessoas. Com essa associação, distribuiram algumas centenas de milhar de dolares, contribuindo, não só com dinheiro, como cadeiras de rodas, camas ortopédicas e outros utensílios para lar de idosos, ajudando pessoas em localidades em Portugal, que antes o desprezaram!.

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…esta associação, considerou-o o “Homem do Ano”!.

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…com a família, visitou algumas vezes Portugal!.

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…sempre lembrou as suas raízes e, o lugar onde nasceu!.

…o Tony, foi dirigente do clube português, da primeira cidade, onde viveu, nos Estados Unidos, foi Vice-presidente, por dois mandatos, do maior clube português na costa leste dos Estados Unidos. Fez parte de diversas comissões representativas do “Dia de Portugal”. Dirigiu arraiais à portuguesa, nesse clube, onde se juntavam, mais de três mil pessoas!.

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…recebeu Secretários de Estado do governo de Portugal, que vinham de visita ao clube, e que eram recebidos com todas as honras, com banquetes a preceito, e que prometiam livros e demais material para a escola de português do clube, e que após saírem do clube, não mais se lembravam da escola, nem do clube, talvez, não por sua culpa, pois naquela altura, os governos mudavam ideias com frequência  e, o Tony, e os seus companheiros, tinham que fazer fotocópias dos livros, folha a folha, para os alunos aprenderem português. Representou este clube nas Nações Unidas, por altura da despedida de um importante dirigente português. Foi agraciado por Sua Excelência o Consul de Portugal, de uma importante cidade de Nova Jersey, por altura das comemorações do dia de Portugal, por uma importante exposição que realizou, com moedas e selos raros, assim como outros motivos referentes a Portugal, que foram apreciados por milhares de pessoas, sobretudo americanos. Os jornais locais, por diversas vezes publicaram reportagens a seu respeito e de eventos que dirigia!.

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…foram contemplados com o nascimento de um casal de filhos!.

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…que depois de terminada a sua educação superior, constituiram família nos estados de New Jersey e Pennsylvania!.

…ao fim de cino anos de viverem nos  Estados Unidos, por razões de sobrevivência e melhor puderem educar os seus filhos, resolveram solicitar ao governo dos Estados Unidos, a cidadania americana, para eles e para o seu filho, pois a filha, nasceu nos Estados Unidos. Depois de rigoroso processo, o governo, concede-lhes a honra da cidadania. Hoje, são portadores de documentos e passaporte dos Estados Unidos da America. Comovem-se e respeitam, quando ouvem o hino dos Estados Unidos, assim como o hino de Portugal.

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…não deixa de ser bizarro, que pelo menos o Tony, depois de defender a bandeira de Portugal, na guerra com as colónias em África, hoje tenha a cidadania dos Estados Unidos!.

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…o avô, era Francês, a avó, era Espanhola, os pais, eram Portugueses e, ele é Americano, por opção, pois nasceu em Portugal!. Afinal, somos todos cidadões do mundo!.

Na idade de reforma, retirou-se para o estado da Florida, onde vive actualmente na companhia da sua esposa e companheira.

Agosto de 2014.

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